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    2019-06-12

    Tentativas de encontros frequentes, os debates e as polêmicas contribuem para KN-93 consolidação efetiva de um projeto coletivo em torno dos objetivos editoriais e políticos de uma revista. No caso de Araucaria de Chile, no que concerne às representações sobre as revoluções cubana e sandinista, é possível assinalar que tais perspectivas mostraram-se em perfeita conexão. Passemos, então, às análises dessas representações.
    Em seu editorial de lançamento, Araucaria de Chile destacou sua missão de colocar-se enquanto um bem cultural de resistência e oposição à ditadura “fascista” de Augusto Pinochet no Chile: “Creemos que hace tiempo –y con impaciencia– se esperaba por muchos chilenos una publicación como la que hoy comienza. La iniciativa corresponde a gente de una clara y permanente línea antifascista”. Entendemos que, não obstante possuísse esse intento maior de contribuir para o fim da ditadura militar no Chile, a revista, ao dar uma especial atenção às revoluções em Cuba e na Nicarágua, não só evidenciava seu pertencimento à cultura política comunista, como tinha nos dois distintos processos revolucionários exemplos claros de mudanças políticas e mesmo estruturais possíveis para KN-93 o Chile sob o autoritarismo pinochetista, não descartando, para isso, a necessidade, quiçá, de um movimento armado. As revoluções cubana e sandinista foram dois dos assuntos mais discutidos na revista, com clara posição favorável aos revolucionários, em oposição às ditaduras anteriores de Fulgencio Batista, em Cuba, e dos Somoza, na Nicarágua. Tal posicionamento político não poderia ter sido outro, em virtude do editorialismo programático da revista Araucaria de Chile ser explicitamente ligado a culturas políticas de esquerda, como já afirmamos, em especial a comunista. Em seu número 25, publicada no primeiro trimestre de 1984, a revista Araucaria de Chile dedicou especial atenção aos 25 anos da Revolução Cubana. Da página 83 a 170, entre artigos, ensaios, poesias e entrevista, todas possuíram como temática a experiência revolucionária em Cuba no final da década de 1950, abarcando precisamente os anos de 1958 e 1959, quando o movimento guerrilheiro, liderado por Fidel Castro, ganhou a adesão popular e chegou ao poder. Os desdobramentos e a phylum afirmação do governo revolucionário nos anos posteriores a 1959 foram também acompanhados pela revista nessa edição especial, bem como em outras edições de Araucaria. O tom apologético aos feitos da Revolução Cubana, presente em todos os discursos dessa série especial, iniciou-se no texto de abertura de Carlos Orellana, ao mencionar que a revolução tem dado ao povo cubano uma força tal, que quase seria possível “palparla, o respirarla como una presencia similar al olor incomparable de su tierra caliente”. Após suas primeiras palavras em um sentido poético e metafórico, comparando a presença dos benefícios decorrentes da revolução ao clima quente, intenso e acalorado da ilha, Orellana enfatizou que era possível perceber de imediato, ao chegar a Cuba, os conhecidos avanços na saúde e na educação e o espírito forte de sua gente, seu esplendor interno e uma moral civil grandiosa que se esperava ser herdada como bem inaugural do século xxi. Fidel Castro foi logo mencionado por Carlos Orellana, ao afirmar que “su gente es su líder, desde luego, el conductor y consejero de su pueblo, cuyos signos de sabiduría aparecen por todas partes sin que haya que recurrir al mármol o a las efigies innumerables”. A imagem do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, foi notável no repertório de representações dos intelectuais colaboradores de Araucaria de Chile a respeito da ilha. O escritor e diretor da revista, Volodia Teitelboim, expressou-se da seguinte maneira sobre a revolução e seu líder: Percebemos que Volodia Teitelboim destacou o engrandecimento da nação e do povo cubanos com o transcorrer dos anos, da tomada do poder pelos guerrilheiros revolucionários, capitaneados por Fidel Castro, em 1959, até o presente momento de 1984, quando o texto foi publicado. Em seguida, Teitelboim teceu louros a Fidel, comparando-o, pela valentia e liderança, a Rodriguez Díaz de Vivar, o El Cid, um dos maiores cavaleiros da Idade Média na perspectiva da tradição popular espanhola, eternizado como herói na defesa dos reis cristãos contra os muçulmanos. O líder cubano, desta vez enquanto exímio orador, também foi comparado a Antonio Machado, poeta espanhol vinculado ao modernismo e, posteriormente, ao simbolismo europeus da primeira metade do século xx.